Quarta-feira, 1º de Fevereiro de 2012, 12h
Em um raro momento solitário, eu comigo mesma, olho à minha frente e vejo pufes coloridos, desenhos na parede, mochilas transadas, mesas a cadeiras pequeninas. O som ambiente ecoa a voz da Xuxa, e às vezes alguns chorinhos.
Onde estou? Estou com lágrimas nos olhos, na creche, cortando o segundo cordão umbilical que me ligava ao Theo, após um ano e alguns dias de dedicação exclusiva, full time mom. O que eu queria nessa hora? A mesma coisa que o Theo: o colo da minha mãe!
Foi uma escolha nossa, e não a falta dela. Foi uma decisão segura e madura. Era preciso, era necessário, era o momento em que ele precisava de mais espaço e estímulos, e eu precisava me reencontrar, resgatar a velha Karla, esposa, profissional, dona de casa dedicada de antes. Era preciso voltar a ser Karla, e não apenas a mãe do Theo, mesmo que essa função não seja nem um pouco um "apenas".
Decidi que não vou perder mais tempo dando explicações da nossa escolha, como vira e mexe me pegava fazendo. Para um filho, o melhor lugar será sempre ao lado da mãe (e do pai), dependendo da mãe, obviamente. Mas acredito muito na qualidade do tempo que teremos de hoje em diante, e não na quantidade, cujo ócio nem sempre era criativo. E também porque as NOSSAS escolhas, as escolhas para a nossa família, só cabem a mim e ao Luiz.
[Pausa:
Ouço o Theo chorando. Coração aperta.
Despausa]
Ouvir seu filho chorando de longe é de partir o coração. Dá vontade de invadir aquela sala, tomá-lo nos braços e voltar correndo pra casa. Mas faz parte da adaptação, faz parte do processo e do nosso amadurecimento.
Theo chegou na sua salinha meio desconfiado, mas não demorou muito e já estava correndo de um lado para o outro, pegando os brinquedos e passando a mão nos amiguinhos. Theo adora crianças e gosta de tocá-las. A tia: "mas esse Theo é desenrolado, hein?! E tem as pernas mais grossas que as minhas!"
Eu desconfio que a adaptação será mais difícil para mim. Não vai ser fácil chegar em casa e encontrar os brinquedos arrumadinhos. Mas pensando bem, eu vou poder fazer xixi quando eu quiser, vou poder almoçar, lanchar, usar o computador (e atualizar mais o blog!), tomar banho demorado, vou poder fazer nada se assim desejar. E não sejamos hipócritas, porque isso faz falta SIM!
[Pausa
Marido chega para dar um apoio moral (e quando o Theo o vê, chora)
Despausa]
Bom, é isso. Mais uma etapa, mais um ciclo se inicia em nossas vidas. Acredito na escola, no poder que ela tem de ajudar a desenvolver pessoas e até estimular seus talentos. A ideia de ter uma babá nunca nos agradou. Inclusive recentemente uma prima minha que idolatrava a babá da filha descobriu que ela estava deixando a menina com fome. Então, mais do que nunca, babá está fora dos nossos planos. Lugar de criança é na escola, recebendo os estímulos certos, na hora certa, aprendendo a se socializar, a conviver com outras crianças, a dividir brinquedos, a brincar em grupo, e uma outra coisa muito importante: vai aprender a fazer amigos, que poderão acompanhá-lo por toda a vida. Mas nada contra quem goste de babá não, tem gente que dá sorte. É só nossa opinião mesmo.
E assim a vida vai se desenhando. Cortes de cordão umbilical serão feitos a todo instante ao longo da nossa caminhada. O Theo agora está indo para creche. Daqui a pouco vai para a escolinha, vai entrar na adolescência, passar para faculdade, pode desejar fazer um intercâmbio em outro país, pode querer morar sozinho, ou pode casar e ir morar longe (como eu!). E nós, pais, estaremos sempre aqui, com o coração apertado, torcendo e acompanhando cada passo na evolução desse serzinho desenrolado e levado chamado Theo. Que consigamos estar sempre ao seu lado quando for preciso, e que tenhamos sabedoria para olhar de longe quando se fizer necessário.
E bola pra frente que atrás vem gente! Enxuga as lágrimas e vambora!
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Já já retorno com os posts do 1º aniversário do Theo!